domingo, 23 de agosto de 2009

Medo de arriscar

Quantas vezes já desejei revirar do avesso a minha vida, mudar mesmo tudo, porque estava descontente com aquilo em que se tinha tornado o meu viver? E porque é que não o fiz? É como aquela música que diz: muda de vida se tu não vives satisfeito. Então, porque não mudo de vida? Porquê continuar assim?

Há muitos anos, ainda era eu uma miúda com pouco mais de quinze ou dezasseis anos, queria ir viver para Lisboa porque detestava o lugar onde vivia, e anda vivo, mas continuei aqui.
Há uns três ou quatro anos, apaixonei-me por um rapaz que não era daqui, vivia a mais de trezentos quilómetros de distância de mim. Naquela altura pensava e sabia, ou melhor, pensava que sabia que os relacionamentos à distância nunca resultavam por isso só havia duas possibilidades: ou um de nós se mudava ou então aquilo que havia entre nós iria perder-se. Nenhum de nós se mudou; a relação que tínhamos durou uns meses mas chegou ao fim. Eu gostava dele mesmo a sério mas mesmo assim… Escolhi ficar por aqui.
Sempre admirei as pessoas que têm coragem de sair de casa dos pais para irem morar sozinhas. Durante muito tempo desejei fazer o mesmo. Acho que iria crescer muito enquanto pessoa ao passar por experiências como esta. Deve ser óptimo saber que estamos por nossa conta. Ser-se independente e responsável por nós próprios. Isto não passou de um desejo, de uma ideia. Continuo aqui, acomodada à vida que tenho.
Poderia estar para aqui a dar exemplos sem parar…

Quando há um sonho, uma ideia, um objectivo, um projecto… Porquê não correr atrás? Porque não é isso que os outros, á nossa volta, esperam de nós. Porque é mais fácil e mais cómodo ficar à espera do que está para vir do que correr e cansar-nos em busca de algo incerto. Porque aceitamos de braços bem abertos o que nos é destinado através dos ideais predefinidos pelos outros. Porque o caminho deve ser seguido sempre em frente, sem nunca nos desviarmos, num cruzamento ou num atalho, para a esquerda ou para a direita. Porque é assim que as coisas têm de ser. Porque tem-se medo de arriscar.

Daqui a uns anos, quando for velhinha e não tiver nada para fazer, vou pensar: Como seria se eu tivesse arriscado e tivesse procurado a minha sorte em Lisboa? Teria eu sido mais feliz se tivesse ido atrás daquele amor? O que teria mudado se eu tivesse vivido parte da minha vida sozinha?
As pessoas, eu incluindo, devem gostar muito da palavra se!

Conclusão: Se eu tivesse arriscado talvez tivesse petiscado!

domingo, 16 de agosto de 2009

Ser como sou

Há uns dias atrás quase que chateava a sério com uma amiga minha…

Sei que não sou perfeita, ninguém o é, mas serei eu assim tão imperfeita para que me estejam sempre a dizer como devo ser? Quantas mais vezes terei eu de ouvir alguém a opinar sobre mim e sobre a minha maneira de ser, sem que lhe tenha sido pedida uma opinião ou um conselho?
- Não devias ser assim…
- Devias ter dito isto ou aquilo…
- Não podes continuar a agir assim, não te fica bem…
- Tens que mudar essa tua maneira de ser…
Detesto ter que ouvir este tipo de comentários, ainda para mais vindos de pessoas que já deviam conhecer-me.
É assim tão difícil perceber que as pessoas são como são e cabe-nos a nós aceitá-las tal como elas são? Quando ‘decidimos’ gostar de alguém isso deve significar que aceitamos a sua maneira de ser, com mais ou menos qualidades, com mais ou menos defeitos.

Queria que me vissem tal como eu sou…
Sei que sou muito diferente das outras pessoas da minha idade mas também quem é que disse que tínhamos de ser todos iguais e ter os mesmos gostos? Seria verdadeiramente chato se todos gostássemos da cor azul em detrimento de uma outra cor qualquer! Podemos ter formas diferentes de ver a vida e até podemos geri-la de maneira desigual mas isso não significa que seja eu a estar errada. Eu não sou ‘uma Maria que vai com as outras’ só porque me fica bem. Acho que não tenho de ser igual às outras pessoas nem preciso de fazer o mesmo que os outros fazem para ter o meu lugar no mundo.
Não me considero melhor que ninguém, simplesmente sou diferente.
Agora gostava que me aceitassem e me deixassem…
Ser como sou!

sábado, 8 de agosto de 2009

Procurando-me

Há momentos na vida em que nos sentimos tão perdidos, sem rumo, parecendo-nos que tudo corre mal. É como se, de repente, tudo à nossa volta passasse de algo perfeito a qualquer outra coisa sem sentido algum. O que ontem era verdade, hoje não significa nada. O mundo parece escapar-nos debaixo dos pés.
Nessas alturas, tudo o que precisamos é de parar, olhar à volta e perceber o que está a acontecer, tentando, sempre, reflectir sobre a direcção que devemos e queremos retomar.
É assim que eu me sinto agora: não tão perdida mas sim à procura do que eu quero realmente da minha vida e das pessoas que estão à minha volta. No fundo, procuro por mim própria. O meu verdadeiro eu. A minha essência.
Será que sinto exactamente aquilo que digo sentir? Será que sou realmente como quero parecer que sou? Terei, eu, desejado viver a vida que tenho agora ou pura e simplesmente deixei-me estar, acomodada, com tudo o que me foi aparecendo pela frente? A resposta é só uma e serve para todas as perguntas: não sei! É por tudo isto que estou aqui. Procurando por quem eu sou.
Agrada-me pensar que não sou só eu que estou nesta situação, ou seja, consola-me a ideia de que isto talvez aconteça às outras pessoas, também.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Desejo Secreto

Em cada rua desta cidade
Vejo a beleza da noite sem fim
Abraço a cumplicidade
Que sem querer encontras em mim

Com um sentimento discreto
Reinvento o meu limiar
É meu desejo secreto
Cada letra no teu olhar


Autoria: M. A.

Obrigado, M. A., pelo 'empurrãozinho' e pelo apoio!